Dona Maria José, esposa de Adriano, conta que, no dia dos fatos, 14 de outubro, os dois conversaram bastante. A seguir, o marido foi tomar banho. Ela fechava a portinhola da varanda, quando notou o barulho de uma cadeira caindo ao chão. Ao perceber que Adriano estava caído, ela gritou imediatamente aos vizinhos, pedindo ajuda: “Fiquei desesperada. Nunca vi nada assim”.
Dois homens acorreram para acudir ao trabalhador rural, sendo um deles Suzander Vieira, patrão de Adriano. A partir daí, começou uma intensa e longa operação para salvar a vida do vaqueiro. Foi chamado Edemir Alves, e logo os bombeiros militares e o Samu. Sete profissionais empenharam-se na dura missão de manter vivo o morador do bairro Sion, que estava inconsciente e sem respiração natural.
Pelo Corpo de Bombeiros, participaram o sargento Nunes, a cabo Ana Melo e o soldado Ferreira. A equipe da Unidade de Suporte Avançado do Samu foi composta pelo médico Luís Augusto Ferreira, pela enfermeira Viviane Ambrósio Passos e pelo motorista Saulo. Pela Defesa Civil, atuou Edemir Alves.
Seguindo o protocolo para ocorrências desse tipo, as equipes realizaram as manobras de compressão toráxica e ventilação assistida. Adriano recebeu várias injeções e mais de uma dezena de aplicações do desfibrilador. A batalha durou cerca de 25 minutos, mas o trabalhador pôde ser estabilizado e encaminhado ao Hospital Margarida. Na Câmara Municipal, o vereador Sinval Dias (PL) demonstrou-se impressionado com o socorro que testemunhara.
O próprio Adriano conta que chegou a pensar que morreria. Foi ao acordar que se inteirou do que passara. Ele ficou cerca de um mês internado para se recuperar, e agora está de volta à sua casa. Aos poucos, retoma o ritmo: “Não consigo ficar parado”. Com sua forma bem-humorada, ele agradeceu a cada um que o ajudou a permanecer vivo: “São heróis!”.
Socorro imediato
O médico Luís Augusto Ferreira foi o responsável pela administração dos choques do desfibrilador em Adriano. Ele conta que, segundo estatísticas europeias, menos de 10% das pessoas que sofrem uma parada cardiorrespiratória conseguem sobreviver. Destes, uma minoria retoma a vida sem sequelas, como no caso de Adriano.
Ele e o tenente Rubens Nery, comandante do posto avançado do Corpo de Bombeiros Militar em João Monlevade, destacam que, em ocorrências desse tipo, nenhum segundo pode ser perdido, e o socorro precisa ser acionado imediatamente. A enfermeira Viviane Ambrósio Passos destaca a união, a integração e a sinergia entre as diferentes equipes para atuar sem desencontros, otimizando os esforços e aumentando a eficiência.
Em caso de emergência, o cidadão não pode hesitar, devendo procurar ajuda imediatamente. O Corpo de Bombeiros pode ser acionado pelo telefone 193; o Samu, pelo 192; e a Defesa Civil, pelo 199.